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Segurança de dispositivo médico não termina no registro na ANVISA

Um componente polimérico de um dispositivo médico — um tubo, um conector, uma película — começa a apresentar uma leve alteração de cor após alguns meses em estoque.

Situações como essa são comuns na indústria: PVC, silicone, poliuretano frequentemente sofrem alterações visuais com o tempo, exposição à luz ou variações de temperatura. Antes de qualquer conclusão, a pergunta técnica correta é outra:

Essa alteração representa risco ao paciente, ou é um fenômeno estético inerente ao envelhecimento natural do material?

É exatamente para responder esse tipo de pergunta — com evidência, não com suposição — que existe a ISO 10993, a norma internacional de referência para avaliação biológica de dispositivos médicos. Ela define como avaliar a biocompatibilidade de cada material e componente em contato com o paciente, considerando o tipo de contato (pele, mucosa, corrente sanguínea) e o tempo de exposição. Uma alteração visual, por si só, não indica risco — mas só a avaliação de biocompatibilidade, feita corretamente e à luz da ISO 10993, sustenta essa conclusão com segurança.

Essa distinção parece simples, mas é o tipo de questão que separa empresas que apenas cumprem registro na Anvisa daquelas que realmente gerenciam a segurança do produto ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Garantir que um dispositivo médico é seguro não é uma etapa que se encerra na notificação ou registro. É um processo contínuo, que exige:

No fim, a diferença entre um alarme falso e uma crise de qualidade está em ter — antecipadamente — a documentação e o racional técnico que sustentam cada decisão.

Sua empresa consegue responder hoje, com evidência, por que um componente é seguro?

Precisa estruturar ou revisar os controles de biocompatibilidade, fornecedores ou gerenciamento de risco da sua empresa?

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